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ZUDIZILLA FALA SOBRE O DISCO “FAÇA A COISA CERTA”

2015/02

Zudizilla é uma das boas revelações que a cidade de Pelotas trouxe para rap do Rio Grande do Sul.  Depois de ter ganhado notoriedade com o ep “Foda-se (2011)” e a mixtape “Luz” (2013), o MC se prepara para lançar seu terceiro trabalho, intitulado “Faça a Coisa Certa”.

A identidade visual do disco é assinada pelo designer Mateus Bonini e tem como referências obras de Spike Lee e Basquiat. A ilustração criada por ele estampa a capa do álbum e também três peças de vestuário que integram a coleção da marca RU, confecção lançada por Bonini em parceria com o amigo Gabriel Farias. Os dois são velhos conhecidos de Zudizilla.

“A Condição é Simples/ Resiste ou Corre/ Desiste ou Morre/ Persiste ou Admite que não Pode/ Faça a Coisa Certa” Foto: Paula Paz

“Lá na city a gente tinha um coletivo de arte (a Medlym), onde cada um chegava e somava com a sua aptidão. Eu já trabalhava com design, os guris já trabalhavam com ilustração, tinha uma galera que estava se formando em moda e lá fizemos muita coisa juntos. A rapaziada veio para cá para Porto, alguns caminhos se tomaram, mas minha relação com eles a partir de lá da cidade se manteve sempre firme. Estar aqui com os caras da RU hoje é ver meus brothers conseguirem realizar o sonho deles. Desde a época que a gente virava a noite cortando stencil, cortando tecido, ninguém desistiu do sonho de viver dessa parada, da sua produção”, explica o mc.

Foto: Bruno Treiguer
Foto: Bruno Treiguer

A Take colou no Galpon, em Porto Alegre, onde rolou a festa de lançamento da RU, com um pocket show do mc pelotense. Aproveitamos o role para conversar com Zudizilla sobre seu novo trampo e essa colaboração com a marca.

Inspiração para a Capa

O disco carrega o nome de uma das obras mais famosas do diretor de cinema Spike Lee, “Do The Right Thing” (1989), que retrata o clima de tensão racial entre moradores do Brooklyn, Nova York. Apesar disso, o mc explica que o seu trabalho não fala sobre o longa metragem, mas se inspira na temática e na estética do filme. Retratar isso logo na capa do disco foi uma das suas preocupações.

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Capa do Álbum “Faça a Coisa Certa”

“Eu tinha uma necessidade de saber como é que eu iria passar a identidade visual do meu trabalho para as pessoas. Uma identidade que conseguisse juntar tudo aquilo que eu tenho por underground. O filme Faça a Coisa Certa vem de encontro a isso, pela ideia passada no filme e principalmente pela estética visual que o Spike Lee trabalha. Com granulado, aquele filme bem ‘quente’ e tal. Achei da hora, porque meu disco trabalha só com loop, só com samples. Eu tô voltando às origens mesmo, para fazer o meu melhor. Porque o que eu mais gosto no rap está entre os anos 90 e 2000. É quando eu acho que ele teve seu ápice criativo, intelectual e de representatividade dentro da sociedade.”

Faça a Coisa Certa (1989)

“Eu fiquei naquela preocupação de como iria conseguir sintetizar toda essa ideia. Não queria fazer algo com a identidade visual do filme, porque o disco não fala do filme, mas busca na estética dele tema para seguir. Comecei a ir nas referências do Spike Lee, nas referências sonoras principalmente. Aí descobri Rammellzee, o disco Beat Bop, que eu acho que é uma das primeiras experiências de sample que teve no mundo e quem fez a capa dele foi o Basquiat. Mostrei isso para o Bonini e ele pirou na ideia. Peguei os caras nessa questão de lançamento da marca, então eles chegaram e me falaram ‘mano, a gente já desenhou tua capa, desenhamos a camiseta, um bucket hat e uma camisa de botão.’ Uma parada louca, que eu nunca tinha imaginado na minha vida.”

Do “Foda-se” ao “Faça a Coisa Certa”

Na sua recente trajetória, o mc de Pelotas lançou um EP e uma Mixtape, além de várias colaborações com outros beatmakers e rimadores. Os trabalhos tiveram boa repercussão e até o Dj KL Jay foi um dos que reconheceram o seu talento no mic. Do “Foda-se” ao “Faça a Coisa Certa”, Zudizilla nos contou um pouco do que o influenciou nessa caminhada e o que se deve esperar do seu novo trabalho:

“O Foda-se é um disco intermediário, porque o Luz já estava pronto quando ele saiu. Aquelas eram algumas músicas que eu achava que não cabiam dentro do projeto Luz, que se propunha a ser racional. A não xingar tanto, explicar mais. O Foda-se era tudo aquilo que estava dentro do meu peito. Entre uma razão e outra tem um foda-se.

É minha filosofia de vida. Eu vim do hardcore mesmo. Comecei no graffiti não foi pelo hip-hop. Foi pela questão do zine, do protesto na rua. Eu já desenhava, então misturei protesto com desenho e… toma o graffitti. Nunca vou conseguir me livrar dessa agressividade que eu tenho. Eu acredito que esse novo (disco) dialogue melhor com o Foda-se do que com o Luz. Ele é um pouco mais polido, um pouco mais controlado, mas é dedo no cu do sistema do mesmo jeito.

Chamei o Pok Sombra, que produziu uns quatro ou cinco beats que já deram corpo para o disco inteiro. Ele está trabalhando com o Dario, lá de Curitiba, que já chegou pesadão também. Tem o CASP, de São Paulo e o Coyote (nas produções). Isso partiu daquela questão de eu pesquisar meu disco e saber o que eu quero fazer, antes de mais nada.

O Luz foi um processo mais demorado, porque eu estava lidando com um assunto o qual eu não tinha tanto domínio. Eu ainda sou, mas naquela época eu era mais ainda, um aspirante a MC. Acho que o Luz demorou mais por essa questão da construção de um disco.

O Faça a Coisa Certa é, como diria meu herói Parteum, ‘direto do pulmão pra rua‘. Ele dialoga bem com a rua, com as vertentes urbanas e com quem vive nelas. Minha proposta é fazer um rap sincero.”[/vc_column_text][vc_video link=”https://www.youtube.com/watch?v=1q_9ANDQd34″][/vc_column][/vc_row]

Colaborações Recortes